Farmacêutica e o Doutorado

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Meu nome é Rayane Ganassin e estudei na Universidade de Brasília (UnB) de agosto de 2009 a março de 2020.

Em abril de 2010 iniciei um estágio no Laboratório de Nanobiotecnologia do Instituto de Biologia da UnB.

Fiz um semestre de estágio, dois anos de iniciação científica, mestrado e doutorado.

Minha última experiência no laboratório foi o doutorado.

O doutorado durou 4 anos e recebi bolsa de 2200,00 por mês durante 3 anos e 6 meses.

Os 6 primeiros meses fiquei aguardando ser comtemplada com uma bolsa.

Sendo esta, uma das primeiras dificuldades.

O programa de pós-graduação em Nanociencia e Nanobiotecnologia da UnB possui um número fixo de bolsas para os alunos, assim como a maioria dos outros programas de pós-graduação.

Não são todos os alunos que recebem bolsa, pois o número de alunos geralmente é maior que a quantidade de bolsas disponíveis.

Além disso, alunos que possuem bolsas precisam concluir o mestrado/doutorado para esta bolsa se tornam disponível para outro aluno que está ingressando na pós-graduação.

De acordo com a classificação dos alunos aprovados na seleção de mestrado/doutorado, estes são comtemplados com a remuneração, ou seja, os primeiros classificados possuem maiores chances de serem contemplados, e dependendo da quantidade de aprovados, nem todos conseguirão bolsa até o término de sua pós-graduação.

Outras dificuldade são a falta de infraestrutura, equipamentos e reagentes de alguns laboratórios.

Diante disso, fazer pós-graduação stricto sensu, ou seja, voltada para a pesquisa, no Brasil é um grande desafio.

A pesquisa é essencial para o desenvolvimento de um país, mas sabemos que em nosso país a pesquisa não tem seu devido valor.

Em alguns laboratórios que visitei vi muitos alunos e professores dedicados, acostumados com a demanda de trabalho, com a necessidade de publicação de artigos científicos, provando a necessidade da resolução de diversos problemas da sociedade. Resumindo, pesquisa é isso, resolver problemas e assim propor soluções para a sociedade.

Eu sou farmacêutica e trabalhei com nanobiotecnologia para o desenvolvimento de novas terapias para o tratamento de alguns cânceres.

Sabemos que existem diversos tratamentos para os diversos tipos de cânceres, mas ainda existem limitações nessas terapias, sendo necessário o desenvolvimento de novas terapias para superar a resistências das células tumorais frente aos agentes anticâncer e alcançar melhores resultados aumentando a sobrevida e provocando menores efeitos colaterais nos pacientes.

Ter as ferramentas ao nosso alcance para resolver um problema tão sério da humanidade é muito gratificante, é o que move os alunos mesmo passando certas dificuldades.

Neste sentido, os estudantes de mestrado e doutorado são de grande valor para a sociedade.

Existem muitas pessoas sérias e dedicadas dando continuidade a vários estudos importantes. 

No mestrado os alunos podem ter um pouco de dificuldade, pois ainda não possuem a experiência de um aluno de doutorado.

Porém, eu já tinha uma experiência de 3 anos no laboratório de Nanobiotecnologia, então neste caso, entrei com uma certa experiencia no mestrado.

Mas com certeza, após passar pelo mestrado, o aluno inicia o doutorado com visões diferentes, mais maduro e com ideias mais consolidadas sobre a pesquisa que está realizando.

Quando fazemos mestrado e doutorado a tendência é fazer um pós-doutorado e participar de seleções para professor.

No meu caso, algumas semanas antes da finalização de meu doutorado (defesa) eu já havia conseguido um emprego no Ministério da Saúde, então foi preferível por mim começar a trabalhar e por enquanto não realizar um pós-doutorado.

Neste momento o trabalho com um salário fixo é muito importante, pois não quero viver de bolsa a vida toda.

Mas sou muito grata por toda a minha caminhada na vida acadêmica, porque o currículo que construí durante esse período foi o que me fez conseguir um bom emprego.

Porém, futuramente, pretendo pedir uma licença do trabalho e realizar um pós-doutorado fora do Brasil. 

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