DOENÇAS VIRAIS: HEPATITE D

DOENÇAS VIRAIS: HEPATITE D

Tempo de leitura: 7 minutos

Hepatite D também conhecida como Delta, é uma doença viral caracterizada por reação inflamatória no fígado, esse vírus é considerado um vírus satélite, ou seja, ele não é autônomo e depende da presença do vírus da hepatite B para infectar uma pessoa.

O agente delta é um RNA-vírus “incompleto” (um dos menores vírus RNA animais, tão pequeno que é incapaz de produzir seu próprio envelope proteico e de infectar uma pessoa), constituído de uma fita incompleta de RNA. Ele é deficiente em quase todas as proteínas necessárias à replicação e só pode multiplicar-se em células já infectadas pelo vírus da hepatite B, utilizando as enzimas codificadas por ele além dos recursos da célula humana.

Portanto, na grande maioria dos casos a hepatite D ocorre junta a B, ambas com transmissão parenteral (sangue contaminado e sexual). O vírus D normalmente inibe a replicação do B, que fica latente.

A hepatite D foi conhecida em 1977, ano em que foi descoberto o vírus que a provoca, o HDV ou vírus Delta como também é designado. 

CARACTERÍSTICAS DO VÍRUS

O HDV (Vírus da Hepatite D) é um vírus com 35 nanômetros e um genoma de RNA circular minúsculo (apenas 1700 bases) de sentido negativo. Codifica apenas duas proteínas e usa a proteína HBs no seu envelope. Uma curiosidade interessante sobre o vírus é que o próprio genoma de RNA funciona como uma enzima não proteica (é uma ribozima) e cliva os seus próprios produtos transcritos.

É assim um vírus que parasita outro vírus, o qual parasita a célula humana. Mas os maiores danos são causados não à replicação do HBV mas às células humanas. A infecção do doente crónico com Hepatite B do HDV piora o prognóstico significativamente.

A doença terá chegado à Europa Ocidental com viajantes toxicodependentes, uma parte da população sempre exposta ao risco deste tipo de infecções, mas encontra-se, sobretudo, na zona do Mediterrâneo, no Médio Oriente, na Ásia Central, na África Ocidental, na América do Sul e em algumas ilhas do sul do Pacífico. No sudeste asiático, permanece em Taiwan, na China e na Índia. Também se registaram casos, muitas vezes mortais, entre a população indígena da Venezuela, Colômbia, Brasil e Peru.

O problema é que uma pessoa nunca sofre apenas de hepatite D: ou é infectada em simultâneo com o HDV e o VHB ou só contrai esta doença quando já tem hepatite B. No caso de uma co-infecção, a hepatite D aguda pode ser severa, ou mesmo fulminante, no entanto, raramente evolui para uma forma crônica . Mas quando ocorre uma superinfecção, esta provoca hepatite crônica em 80 por cento dos casos, dos quais 40 por cento evoluem para cirrose.

O período de incubação dura entre 15 a 45 dias e a sua presença no sangue é prolongada, podendo mesmo permanecer para sempre no organismo, o que pode originar formas mais graves de doença hepática.

Encontra-se, com maior incidência, na bacia do Mediterrâneo, no Médio Oriente, na Ásia Central, na África Ocidental, na bacia do Amazonas, na América do Sul, e em algumas ilhas do Pacífico Sul.

TRASMISSÃO DA HEPATITE D

E sua transmissão, assim como a do vírus B, ocorre:


. por relações sexuais desprotegida com uma pessoa infectada; 
. da mãe infectada para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação;
. compartilhamento de material para uso de drogas (seringas, agulhas, cachimbos, etc), de higiene pessoal (lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, alicates de unha ou outros objetos que furam ou cortam) ou de confecção de tatuagem e colocação de piercings;
. por transfusão de sangue infectado.

Esta hepatite não se transmite pela saliva ou suor, portanto, ninguém ficará doente por dar um aperto de mão, abraços, beijos ou por utilizar pratos ou talheres de pessoas infectadas.

SINTOMAS DA HEPATITE D

A hepatite D aguda revela-se após um período de incubação de três a sete semanas. A fase pré-icterícia, que pode durar entre três a sete dias, começa com sintomas de fadiga, letargia, falta de apetite e náuseas, depois a pele ganha um tom amarelado que é o sinal de icterícia e, então, os outros sintomas desaparecem, com exceção da fadiga e das náuseas, a urina torna-se escura e as fezes claras, enquanto os níveis de bilirrubina no sangue sobem.

Como a superinfecção causa, geralmente, uma hepatite aguda grave, com um período de incubação lento, os sinais são idênticos aos das duas doenças (hepatite D e hepatite B). Nos casos em que evolui para hepatite crônica, os sintomas são menos intensos do que na hepatite aguda. A evolução para cirrose acontece em 60 a 70 por cento dos casos e demora entre cinco a dez anos, mas pode ocorrer 24 meses após a infecção.

A hepatite D fulminante é rara, mas é dez vezes mais comum do que noutros tipos de hepatite viral e caracteriza-se por encefalopatia hepática: mudanças de personalidade, distúrbios do sono, confusão e dificuldade de concentração, comportamentos anormais, sonolência e, por último, estado de coma.

DIAGNÓSTICO DA HEPATITE

No caso de se tratar de uma co-infecção, o diagnóstico é feito com base no aparecimento de antígenos e de anticorpos específicos no sangue, durante o período de incubação ou já no despoletar da doença. Os anticorpos anti-VHD desenvolvem-se tarde, na fase aguda, e normalmente diminuem após a infecção.

Na superinfecção, o VHB já se encontra no organismo antes da fase aguda, surgem anticorpos contra o VHD das classes IgM e IgG, sendo que estes últimos persistem por tempo indefinido. É possível, também, pesquisar no sangue o antígeno Delta e o ARN do VHD. A progressão para o estágio crônico está associada à presença de níveis elevados de IgM anti-HD e IgG anti-HD.

TRATAMENTO

Até agora, ainda não surgiu qualquer tratamento 100% eficaz para a hepatite D, apenas o Alfa Interferon tem proporcionado alguns resultados positivos: somente um em cada dois casos se assiste a uma redução significativa da multiplicação do vírus.

A doença sofre recidiva, com a interrupção do tratamento.

O tratamento é realizado classicamente com alfa interferon em altas doses (9 MU 3 vezes por semana por 12 meses após a normalização do ALT).

O interferon beta mostrou resultados satisfatórios em estudos com poucos pacientes. A lamivudina, apesar de eficaz contra a hepatite B, não mostrou resultados satisfatórios associada ao interferon. O aparecimento do PEG-interferon deve trazer melhores resultados ao tratamento, mas ainda não há estudos sobre o assunto.

    Como o tratamento pode levar a piora em pacientes cirróticos, mesmo com doença compensada, recomenda-se o transplante hepático. Infelizmente, a recidiva da doença no órgão transplantado é alta.

REFERÊNCIAS:

– Roche (Hepatite D). Disponível em: http://www.roche.pt/hepatites/hepatited/index.cfm

– Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais [Hepatite D]. Disponível em: http://www.aids.gov.br/pagina/hepatite-d

– Portal Saúde [Prevenção – Hepatites – Hepatite D]. Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/links-de-interesse/305-hepatites-virais/prevencao-hepatites/9124-hepatite-d

– HepCentro – Hepatologia Médica [Hepatite D]. Disponível em: http://www.hepcentro.com.br/hepatite_d.htm

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