Dengue: características, história no Brasil e cuidados.

Tempo de leitura: 7 minutos

A dengue é uma infecção de importância mundial transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, um inseto encontrado em regiões tropicais e subtropicais e também pelo mosquito Aedes Albopictus.

Existem 4 sorotipos antigenicamente distintos do vírus da dengue: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4.

Eles são vírus de RNA que pertencem ao gênero Flavivirus/família Flaviviridae, que também inclui o vírus da febre amarela e o vírus do Nilo Ocidental. A infecção pelo vírus da dengue causa uma ampla variedade de manifestações clínicas graves e não graves.

Surgimento no Brasil

No Brasil, os primeiros relatos de dengue datam do final do século XIX, em Curitiba (PR), e do início do século XX, em Niterói (RJ). No início do século XX, o mosquito já era um problema, mas não por conta da dengue, na época, a principal preocupação era a transmissão da febre amarela.

Em 1955, o Brasil erradicou o Aedes aegypti como resultado de medidas para controle da febre amarela.

No final da década de 1960, o relaxamento das medidas adotadas levou à reintrodução do vetor em território nacional. Hoje, o mosquito é encontrado em todos os Estados brasileiros.

Segundo dados do Ministério da Saúde, a primeira ocorrência do vírus no país, documentada clínica e laboratorialmente, aconteceu em 1981-1982, em Boa Vista (RR), causada pelos vírus DENV-1 e DENV-4. Anos depois, em 1986, houve epidemias no Rio de Janeiro e em algumas capitais do Nordeste.

Desde então, a dengue vem ocorrendo no Brasil de forma continuada.

Mosquito Aedes aegypti

O Mosquito Aedes aegypti mede menos de um centímetro, tem aparência inofensiva, cor café ou preta e listras brancas no corpo e nas pernas.

Costuma picar nas primeiras horas da manhã e nas últimas da tarde, evitando o sol forte, mas, mesmo nas horas quentes, ele pode atacar à sombra, dentro ou fora de casa. Há suspeitas de que alguns ataquem também durante a noite.

O indivíduo não percebe a picada, pois no momento não dói e nem coça.

Mosquito Aedes Aegypti adulto
Mosquito Aedes Aegypti adulto
Larva do mosquito
Larva do mosquito

Mosquito Aedes albopticus

Considerado vetor secundário do vírus do dengue, o Aedes albopictus – mosquito que apresenta características morfológicas semelhantes e a mesma capacidade de proliferação do Aedes aegypti – é motivo de preocupação em países do continente asiático, onde é responsável por alguns surtos da doença.

No Brasil, o A. albopictus foi introduzido na década de 1980 e, apesar de não haver nenhum registro de exemplares adultos infectados com o vírus dengue no país, a espécie é alvo de estudos que monitoram o crescimento de sua população e investigam seus aspectos biológicos e ecológicos em comparação aos do A. aegypti.

Mosquito Aeds albopticus adulto
Mosquito Aeds albopticus adulto

Transmissão da Dengue

Quem pica os seres humanos é a fêmea do mosquito da dengue. Para haver transmissão da doença, o mosquito precisa estar contaminado com o vírus.

Isto significa que nem todo Aedes aepypti ou Aeds albopticus transmite a dengue. Além de estar contaminado pelo vírus, o mosquito só transmite a doença se tiver contraído o vírus da dengue a mais de duas semanas.

Isso porque o vírus da dengue precisa de 10 a 14 dias dentro do mosquito para se tornar viável para transmissão. Caso isso não ocorra, o mosquito não será capaz de transmitir a doença.

A dengue não é transmitida diretamente de humano para humano. Familiares de um paciente com dengue não precisam de nenhum tipo de cuidado especial.

Sintomas

  • Febre
  • Rubor na pele/erupção cutânea
  • Mialgia/artralgia/cefaleia
  • Sinais hemorrágicos
  • Letargia/inquietação
  • Hepatomegalia
  • Distensão abdominal
  • Dor torácica pleurítica, dispneia, tosse
  • Sinais de colapso circulatório

Em caso de Dengue hemorrágica, sintomas de mais gravidade aparecem, tais como:

  • Dor abdominal intensa e contínua
  • Pele fria, úmida e pegajosa
  • Hipotensão (choque)
  • Sangramentos que não cessam espontaneamente
  • Letargia
  • Dificuldade respiratória

Tratamento

Não existe tratamento específico para o vírus da dengue, o que é feito é o combate aos sintomas desenvolvidos por casa portador do vírus, mediante classificação em grupo de risco.

Grupo A

  • Grupo sem sinais de alerta (sobretudo quando a febre abaixa);
  • pode tolerar um volume adequado de fluidos orais e urinar ao menos uma vez a cada 6 horas;
  • contagem sanguínea e hematócrito quase normais.

Os pacientes podem ser enviados para casa e revistos quanto à progressão da doença diariamente até que estejam fora do período crítico.

Os pacientes devem ser encorajados a repousar e tomar fluidos por via oral (por exemplo, aproximadamente 2500 mL/24 horas para um adulto, ou manutenção de fluido adequado para a idade, em crianças)

Observação: Os fluidos de cor vermelha e marrom devem ser evitados, pois eles podem causar confusão sobre a presença de hematêmese caso o paciente vomite.

Para o combate da dor temos como primeira escolha:

Paracetamol:

  • crianças: 10-15 mg/kg por via oral a cada 4-6 horas quando necessário, máximo de 75 mg/kg/dia;
  • adultos: 500-1000 mg por via oral a cada 4-6 horas quando necessário, máximo de 4000 mg/dia

Grupo B

  • Grupo que desenvolve sinais de alerta;
  • fatores de risco coexistentes para infecção séria (por exemplo, gestação, extremidades etárias, obesidade, diabetes, insuficiência renal, doenças hemolíticas);
  • pouco suporte familiar ou social (por exemplo, pacientes que moram sozinhos ou longe de centros médicos e não possuem transporte adequado);
  • aumento dos hematócritos ou uma rápida diminuição da contagem plaquetária.

É necessário avaliar a gravidade da infecção e em qual estágio da infecção o paciente está (isto é, febril ou crítico) Os pacientes requerem internação hospitalar.

Os pacientes devem ser monitorados rigorosamente durante todo o tratamento, incluindo os sinais vitais, perfusão periférico, equilíbrio hídrico, hematócrito, contagem plaquetária, débito urinário, temperatura, glicose sanguínea, testes da função hepática, perfil renal, perfil coagulatório.

Ao longo da Internação será administrado por via intravenosa fluido reidratante e analgésico para restabelecimento do paciente. Assim que o bem-estar for alcançado e o paciente se mantiver afebril por 48 horas, com aumento da contagem plaquetária e hematócrito estável, o paciente pode receber alta.

Grupo C

  • Grupo com sinais de alerta estabelecidos;
  • na fase crítica da infecção, com extravasamento plasmático grave (com ou sem choque), hemorragia grave, ou insuficiência grave de órgão (por exemplo, insuficiência renal ou hepática, cardiomiopatia, encefalopatia ou encefalite).

Recomenda-se a administração rápida de cristaloides e coloides intravenosos, de acordo com os algoritmos produzidos pela OMS, por 24 a 48 horas.

Os pacientes devem ser monitorados rigorosamente o tempo todo, incluindo os sinais vitais, perfusão periférica, equilíbrio hídrico, hematócrito, contagem plaquetária, débito urinário, temperatura, glicose sanguínea, testes da função hepática, perfil renal, perfil coagulatório e outros testes de função dos órgãos conforme indicados.

Se o paciente não estiver melhorando e o hematócrito cair, deve-se suspeitar de sangramento interno e administrar uma transfusão sanguínea imediatamente; no entanto, recomenda-se cautela devido ao risco de sobrecarga hídrica.

Há um consenso sobre o uso precoce de coloides e transfusão sanguínea em pacientes instáveis refratários.

Instruções ao Paciente

Deve-se garantir aos pacientes que não existem sequelas em longo prazo associadas com a infecção por dengue assim que eles se recuperarem; e que eles podem voltar às suas atividades normais assim que se sentirem fisicamente capazes para isso.

Os pacientes devem ser aconselhados a evitar bebidas alcoólicas e atividades vigorosas durante a convalescência, pois pode levar até 3 a 4 semanas para a função hepática voltar ao normal.

Os sites a seguir oferecem informações úteis aos pacientes.

Dengue: Vírus e Vetor –Instituto Oswaldo Cruz

Mosquito da Dengue – O Aeds Aegypti. Instituto Oswaldo Cruz

Vetor da dengue na Ásia, A. albopictus

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *