Como ocorre a farmácia clínica em UTI

Como ocorre a farmácia clínica em UTI

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Dentre as principais atividades que exerço na rotina da UTI encontra-se a revisão da farmacoterapia do paciente e validação das prescrições médicas, no momento da admissão do paciente realizo anamnese farmacêutica e conciliação medicamentosa junto a equipe médica e de enfermagem, efetuo o plano terapêutico do paciente através do mnemônico FASTHUG-MAIDENS voltado para o cuidado do farmacêutico ao paciente com maior criticidade, condutas farmacoterapêuticas nos rounds clínicos da UTI junto a equipe multiprofissional, pacientes e familiares, intervenções farmacêuticas, interface com a nutrição através da análise de interações fármaco-nutrientes e o uso de medicamentos enterais via dispositivos alimentares, atuação no uso racional de antimicrobianos em conjunto com o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), farmacovigilância quando quaisquer problemas relacionados ao uso de medicamentos, por fim orientações farmacêuticas para a alta no momento da transição de cuidado entre unidades ou quando alta hospitalar.

Observo que um dos maiores desafios enfrentados pelo farmacêutico clínico está no conhecimento e convencimento das equipes de saúde, e até mesmo do paciente e familiares, na capacidade do profissional farmacêutico ser capaz de atuar e resolver problemáticas correlacionadas ao cuidado ao paciente. Na terapia intensiva, de acordo com Romero et al., 2013, é o local onde encontramos maior complexidade dos processos e condições médicas nas quais aumentam a probabilidade de erros, o que torna a segurança do paciente um processo ainda mais crítico. Neste ambiente normalmente encontramos pacientes com muitas mudanças no estado fisiopatológico, em regime complexo de medicamentos, em sua maioria por via parenteral, pacientes polimedicamentosos com maior risco de interações medicamentosas e eventos adversos, utilização em grande escala de medicamentos potencialmente perigosos, em alguns casos medicamentos com custos mais elevados, dentre outras complexidades analisadas nos pacientes em cuidados intensivos. Diante desse cenário, e perante as resoluções 585/13 e 675/19 que ampara nossas atribuições, os efeitos favoráveis da atuação do farmacêutico clínico são vistos quando conseguimos realizar intervenções farmacêuticas e otimização da farmacoterapia dos pacientes, executar o uso racional de medicamentos, prevenir eventos adversos, inclusão na discussão dos planos de cuidados de cada paciente junto a equipe multiprofissional e o envolvimento cada dia mais dos cuidados farmacêuticos para segurança do paciente.

Com o progresso das ciências em saúde, e com o aumento das complexidades fisiopatológicas e da taxa de ocupação em UTI, a necessidade dos serviços farmacêuticos na terapia intensiva torna-se cada vez mais crescente, visando sempre otimizar os resultados em farmacoterapia e maior qualidade e segurança do paciente no ambiente hospitalar.
Atualmente encontramos vários cursos e especializações na área de farmácia clínica e hospitalar, em excelentes instituições. Os programas de residência multiprofissional em terapia intensiva, em sua maioria, conseguem trazer além do conhecimento teórico, a prática e vivência na área. Para aqueles que estão passando por processos de acreditação hospitalar, a ONA Educare oferece um curso de aperfeiçoamento em Farmácia Hospitalar e Clínica, no qual ajuda a agregar os conhecimentos.

Natália de Paula Oliveira

Formada em Farmácia pela Universidade de Brasília, especialista em farmacologia aplicada às práticas clínicas, experiência profissional em farmácias e drogarias, análises clínicas e farmácia clínica/hospitalar, com vivência em processos de acreditação por instituições acreditadoras nacionais e internacionais durante atuação na área hospitalar. Atualmente farmacêutica clínica em terapia intensiva no Hospital DF Star.

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